Em Discurso Directo II
Épocas e Autores da Literatura Portuguesa em áudio. Fernado Pessoa e o Modernismo - Episódio 1 a... Cesário Verde Antero de Quental Felizmente Há Luar Aparição Memorial do Convento
Última actualização: 28, Setembro 2008
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Episódio 81 - Análise do Acto I (pergunta/resposta)
  16, Junho 2006 - 18:06 - 1 MBytes (download)
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Pintura de Magritte
 
Episódio 80 - Introdução ao estudo de Felizmente Há Luar de Luí...
  16, Junho 2006 - 18:19 - 1 MBytes (download)
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Questionário - Atitudes dos alunos sobre os podcasts Em Discur...
  16, Maio 2006 - 00:19 - 1 MBytes (download)
Se costuma ouvir os nossos podcasts, por favor, reserve alguns minutinhos do seu tempo e preencha este questionário. Com ele pretendemos saber a sua opinião acerca da qualidade pedagógica do uso dos podcasts Em Discurso Directo I e II e das atitudes dos internautas perante os podcasts. Por favor, complete este questionário da forma mais sincera e rigorosa possível. Vá a este endereço e responda aos itens que lhe propomos. http://www.advancedsurvey.com Abra esta página e digite o seguinte nº39616 na caixa onde diz "Take A Survey" - Enter Servey Number". Obrigada pela sua colaboração!
 
Episódio 79 - Este Inferno de amar - de Almeida Garrett
  15, Maio 2006 - 17:00 - 2 MBytes (download)
Este inferno de amar - de Almeida Garrett Este inferno de amar como eu amo! Quem mo pôs aqui nalma quem foi? Esta chama que alenta e consome, Que é vida e que a vida destrói. Como é que se veio atear, Quando ai se há-de ela apagar? Eu não sei, não me lembra: o passado, A outra vida que dantes vivi Era um sonho talvez foi um sonho. Em que a paz tão serena a dormi! Oh! Que doce era aquele olhar Quem me veio, ai de mim! Despertar? Só me lembra que um dia formoso Eu passei Dava o Sol tanta luz! E os meus olhos que vagos giravam, Em seus olhos ardentes os pus. Que fez ela? Eu que fiz? Não o sei; Mas nessa hora a viver comecei
 
Episódio 78 - Análise do poema "O Deus Pã não morreu"
  2, Maio 2006 - 01:31 - 1 MBytes (download)
Ricardo Reis O Deus Pã O Deus Pã não morreu, Cada campo que mostra Aos sorrisos de Apolo Os peitos nus de Ceres Cedo ou tarde vereis por lá aparecer O deus Pã, o imortal. Não matou outros deuses O triste deus cristão. Cristo é um deus a mais, Talvez um que faltava. Pã continua a ciar Os sons da sua flauta Aos ouvidos de Ceres Recumbente nos campos. Os deuses são os mesmos, Sempre claros e calmos, Cheios de eternidade E desprezo por nós, Trazendo o dia e a noite E as colheitas douradas Sem ser para nos dar o dia e a noite e o trigo Mas por outro e divino Propósito casual.
 
Episódio 76 - Análise do poema " Vem sentar-te comigo, Líd...
  2, Maio 2006 - 01:42 - 1 MBytes (download)
Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio. Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas. (Enlacemos as mãos.) Depois pensemos, crianças adultas, que a vida Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa, Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado, Mais longe que os deuses. Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos. Quer gozemos, quer nao gozemos, passamos como o rio. Mais vale saber passar silenciosamente E sem desassosegos grandes. Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz, Nem invejas que dão movimento demais aos olhos, Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria, E sempre iria ter ao mar. Amemo-nos tranquilamente, pensando que podiamos, Se quise'ssemos, trocar beijos e abrac,os e carícias, Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro Ouvindo correr o rio e vendo-o. Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as No colo, e que o seu perfume suavize o momento - Este momento em que sossegadamente nao cremos em nada, Pagãos inocentes da decadência. Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-as de mim depois Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova, Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos Nem fomos mais do que crianças. E se antes do que eu levares o o'bolo ao barqueiro sombrio, Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti. Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim - à beira-rio, Pagã triste e com flores no regaço.
 
Episódio 76 - Análise do poema "As rosas amo dos jardins d...
  2, Maio 2006 - 01:58 - 1 MBytes (download)
Ricardo Reis As Rosas As Rosas amo dos jardins de Adônis, Essas volucres amo, Lídia, rosas, Que em o dia em que nascem, Em esse dia morrem. A luz para elas é eterna, porque Nascem nascido já o sol, e acabam Antes que Apolo deixe O seu curso visível. Assim façamos nossa vida um dia, Inscientes, Lídia, voluntariamente Que há noite antes e após O pouco que duramos.
 
Episódio 75 - Ricardo Reis: o neopaganismo e o estoicismo e epi...
  1, Maio 2006 - 21:57 - 1 MBytes (download)
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Pintura de Luca Giordano Texto adaptade do manual Das Palavras aos Actos, 12º Ano , pp.83/84 Edições ASA
 
Episódio 74 - Análise do poema Aniversário de Álvaro de Campos
  1, Maio 2006 - 21:19 - 1 MBytes (download)
 
Episódio 73 - Poema Aniversário, na voz de João Grosso
  1, Maio 2006 - 21:49 - 1 MBytes (download)
ANIVERSÁRIO - ÁLVARO DE CAMPOS No tempo em que festejavam o dia dos meus anos, Eu era feliz e ninguém estava morto. Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos, E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer. No tempo em que festejavam o dia dos meus anos, Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma, De ser inteligente para entre a família, E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim. Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças. Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida. Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo, O que fui de coração e parentesco. O que fui de serões de meia-província, O que fui de amarem-me e eu ser menino, O que fui --- ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui... A que distância!... (Nem o acho...) O tempo em que festejavam o dia dos meus anos! O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa, Pondo grelado nas paredes... O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas), O que eu sou hoje é terem vendido a casa, É terem morrido todos, É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio... No tempo em que festejavam o dia dos meus anos... Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo! Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez, Por uma viagem metafísica e carnal, Com uma dualidade de eu para mim... Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes! Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui... A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos, O aparador com muitas coisas doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado---, As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa, No tempo em que festejavam o dia dos meus anos... Pára, meu coração! Não penses! Deixa o pensar na cabeça! Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus! Hoje já não faço anos. Duro. Somam-se-me dias. Serei velho quando o for. Mais nada. Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!... O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!... 15-10-1929