Contos Populares Portugueses
Portuguese Popular Stories
Última actualização: 6, Maio 2008
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Episódio 38 - O João Tolo
  8, Junho 2006 - 10:16 - 1 MBytes (download)
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Episódio 37 - Fazer mau preço à fruta
  22, Abril 2006 - 01:08 - 1 MBytes (download)
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Episódio 36 - O Sapateiro Pobre
  27, Março 2006 - 00:42 - 1 MBytes (download)
O SAPATEIRO POBRE Havia um sapateiro que trabalhava à porta de casa e todo o santíssimo dia cantava. Tinha muitos filhos, que andavam rotinhos pela rua, pela muita pobreza, e à noite, enquanto a mulher fazia a ceia, o homem puxava da viola e tocava os seus batuques muito contente. Ora defronte do sapateiro morava um ricaço, que reparou naquele viver e teve pelo sapateiro tal compaixão que Ihe mandou dar um saco de dinheiro, porque o queria fazer feliz. O sapateiro lá ficou admirado. Pegou no dinheiro e à noite fechou-se com a mulher para o contarem. Naquela noite, o pobre já não tocou viola. As crianças, como andavam a brincar pela casa, faziam barulho e levaram-no a errar na conta, e ele teve de lhes bater. Ouviu-se uma choradeira, como nunca tinham feito quando estavam com mais fome. Dizia a mulher: - E agora, que havemos nós de fazer a tanto dinheiro? - Enterra-se! - Perdemos-lhe o tino. É melhor metê-lo na arca. - Mas podem roubá-lo! O melhor é pô-lo a render. - Ora, isso é ser onzeneiro! - Então levantam-se as casas e fazem-se de sobrado e depois arranjo a oficina toda pintadinha. - Isso não tem nada com a obra! O melhor era comprarmos uns campinhos. Eu sou filha de lavrador e puxa-me o corpo para o campo. - Nessa não caio eu. - Pois o que me faz conta é ter terra. Tudo o mais é vento. As coisas foram-se azedando, palavra puxa palavra, o homem zanga-se, atiça duas solhas na mulher, berreiro de uma banda, berreiro da outra, naquela noite não pregaram olho. O vizinho ricaço reparava em tudo e não sabia explicar aquela mudança. Por fim, o sapateiro disse à mulher: - Sabes que mais? O dinheiro tirou-nos a nossa antiga alegria! O melhor era ir levá-lo outra vez ao vizinho dali defronte, e que nos deixe cá com aquela pobreza que nos fazia amigos um do outro! A mulher abraçou aquilo com ambas as mãos, e o sapateiro, com vontade de recobrar a sua alegria e a da mulher e dos filhos, foi entregar o dinheiro e voltou para a sua tripeça a cantar e a trabalhar como de costume.